Foi uma semana de bastante instabilidade nos mercados financeiros, com os investidores a mostrarem preocupação com os riscos de desaceleração económica global associada à guerra comercial em curso. Os EUA anunciaram novas tarifas, suscitando a retaliação de vários países.
O dólar continuou frágil, tendo recuado para níveis que não eram vistos desde novembro face ao euro. As preocupações com a economia dos Estados Unidos e a subida dos juros de longo prazo na Europa ajudam a explicar este comportamento. O ouro manteve a sua trajetória ascendente, impulsionado por um ambiente geopolítico e económico favorável, atingindo novos máximos históricos acima de $3000 por onça.
A CDU, SPD e os Verdes chegaram a um acordo quanto ao aumento substancial do endividamento da Alemanha (500 mil milhões de euros), com o objetivo de investir em infraestruturas e defesa.
A inflação dos EUA mostrou sinais de arrefecimento, com a inflação subjacente a descer para o menor valor em quatro anos. O Banco do Canadá cortou a taxa de juro de referência para 2,75% - a sétima redução consecutiva.
Classes de Ativos:
Obrigações:
Depois da elevada volatilidade observada da última semana, os mercados de dívida europeus estabilizaram, corrigindo marginalmente nas últimas sessões. Os prémios de risco corporativos alargaram ligeiramente, mas mantiveram-se próximos dos mínimos do ciclo. O intensificar das guerras comerciais voltou a castigar as geografias mais emergentes, que continuaram a liderar as perdas no acumulado do mês.
Mercados Acionistas
Semana negativa para as ações e particularmente para os mercados dos EUA. Donald Trump afirmou que a economia norte-americana enfrentará um "período de transição" e o Secretário do Tesouro, Scott Bessent, referiu-se a um "detox" económico. As declarações reforçam a ideia de um abrandamento deliberado que justifique uma política monetária acomodatícia por parte da Fed. As ações chinesas destacaram-se pela positiva, tanto em termos absolutos como relativos.
Commodities:
O índice de commodities caiu ligeiramente. O ouro continuou em alta, beneficiando de um contexto geopolítico e económico favorável, tendo mesmo avançado para novos máximos históricos acima de $3000/onça. Os preços do gás natural dos EUA recuaram 6% devido a produção recorde e estimativas de redução de consumo. O petróleo ficou pouco alterado, havendo indicações de aumento de oferta, mitigados por dados positivos de consumo nos EUA. O cobre subiu com os EUA a tentar assegurar material antes que as tarifas sobre o produto entrem em vigor. Agrícolas pouco alteradas.
Forex
O dólar voltou a ter uma semana de quedas. O Eur/Usd chegou a atingir os $1,0947, níveis que não eram observados desde outubro do ano passado, portanto antes das eleições presidenciais nos EUA. O dólar tem vindo a ser penalizado por receios crescentes de uma desaceleração económica nos EUA que possam implicar juros mais baixos do dólar. Por outro lado, o provável estímulo fiscal a implementar na Alemanha está a provocar uma subida das taxas de juro de longo prazo do euro, o que suporta o Eur/Usd. Esse efeito também foi observado face à libra, com o Eur/Gbp a recuperar para níveis acima de £0,84.
Conclusão:
Num cenário de elevada volatilidade, a cautela continua a ser a palavra de ordem para os investidores. As próximas semanas serão decisivas, com os mercados a reagirem a novos desenvolvimentos económicos e geopolíticos que poderão moldar o rumo da economia global.